Peço o poder Divino,
Para que eu possa narrar,
Uma estória que aconteceu,
Certa vez em um lugar,
Como faz bastante tempo,
Quase não dá pra lembrar.
Antigamente não havia cidades,
E sim algum povoado,
Que as vezes só por uma família,
É que o mesmo era formado,
Que eles o chamavam de reino,
Porque não havia estado.
Mais outras coisas existiam,
Como a inveja e a maldade,
Coisas que causam tragédias,
No seio da sociedade,
Algo que não depende,
Nem do tempo e nem da idade.
Em um reino muito distante,
Existia um povoado,
Era o reino Pastanolandia,
Por todos denominado,
Nome herdado de um morador,
Que de Pastana era chamado.
A família de seu Pastana,
Será o enredo de nossa estória,
Marcada por muitas lutas,
Que culminaram em vitória,
E que com toda certeza o fim,
Terá um desfecho de glória.
No reino Pastanolandia,
Como disse anteriormente,
Morava a família pastana,
De índole exemplar e decente,
Reconhecida nos arredores,
Como família de boa gente.
A família era formada,
Pelo pai e três irmãs,
Que sobreviva no reino,
Da colheita de maçãs,
Que colhiam todos os dias,
Ao raiar das belas manhãs.
Os nomes das três meninas,
São bastante significativos,
A mais velha era Aliz,
Estudos eram seus objetivos,
Sempre tratou as irmãs,
Com os carinhos mais afetivos.
A segunda chamava-se Anez,
Também era muito letrada,
Não gostava muito de falar,
Ficava mais tempo calada,
Por esse motivo Anez,
Por todos era admirada.
A menor chamava-se Arez,
Nossa personagem principal,
Garota muito educada,
Com um dote especial,
Quando estava repousando,
Parecia um ser angelical.
Era sempre elogiada,
Por onde quer que passava,
Parecia não ser deste mundo,
Com a pele fina e alva,
Arez era muito bonita,
O povoado todo falava.
A menina vivia feliz,
Crescia em conhecimento,
Ouvia os conselhos dos pais,
Que lhes traziam enriquecimento,
Tinha todas as virtudes,
Alem disso tinha talento.
Arez cantava muito,
Sem nunca ninguém lhe ensinar,
Cantava em todos os momentos,
Cantava para se alegrar,
Quando Arez cantava,
Sempre alguém vinha escutar.
A moça cantava muito,
Que todos lhe escutavam,
A natureza, o mar e os céus,
Agradecidos demonstravam,
Honra ao canto de Arez,
Aplausos todos lhe davam.
Até os passarinhos,
Paravam para lhe ouvir,
O belo canto de Arez,
Todos queriam sentir,
Era um canto celestial,
Que na terra veio cair.
Arez ia crescendo,
E sua fama foi se espalhando,
Por todos os cantos da terra,
Queriam ver Arez cantando,
A cada dia mais a moça,
Ia se aperfeiçoando.
Mas amigo, nem todas coisas,
É como a gente prevê,
No mundo onde vivemos,
Sempre estamos a mercê,
Das coisas boas que vemos,
E do mal que a gente não vê.
Arez com seu talento,
Muita gente o aplaudia,
Incentivando a moça,
Para o sucesso em que ia,
Mais outra inveja pura,
É claro dela sentia.
Suas irmãs as melhores amigas,
Estava sempre do seu lado,
Apoiando o seu trabalho,
Que estava sendo visado,
Por alguém que morava longe,
Fora do seu povoado.
Maria uma moça rica,
Filha de um fazendeiro,
Dono de plantações,
Que lhe rendiam muito dinheiro,
Ouvia falar sobre Arez,
O assunto mais corriqueiro.
Pediu para o seu pai,
Aprontar-lhe uma carruagem,
Para ir a Pastanolandia,
Fazer uma longa viagem,
Conhecer a menina Arez,
E a ela pedir hospedagem.
Maria também cantava,
Pois aprendeu na capital,
Com o surgimento de Arez,
Começou a sentir-se mal,
Porque não queria perder,
Sua posição social.
Algumas amigas suas,
Começaram a lhe falar,
Arez canta mais bonito,
Está preste a te ganhar,
Agora ela faz sucesso,
Que tal depois de gravar.
Faça alguma coisa,
Pra ela não ir para frente,
Você tem que ter astúcia,
Pois ela é inteligente,
E lá em Pastanolandia,
É benquista por toda gente.
Depois de ouvir as amigas,
Maria ficou transtornada,
Sentindo dentro de si,
Uma inveja dilacerada,
E junto com sua mãe,
Arquitetou uma cilada.
Maria viajou para Pastanolandia,
Para Arez conhecer,
Foi muito bem recebida,
Por Arez em seu conviver,
Mesmo sentindo inveja,
Não deixou transparecer.
Conheceu de perto a cantora,
E ouviu ela cantar,
E viu também a multidão,
Que vieram lhe escutar,
Ficou com raiva e triste,
Que chegou até a chorar.
Voltou para sua casa,
E contou o acontecido,
É como que uma competição,
Ela tivesse perdido,
E junto de suas amigas,
Humilhada tivesse sido.
Sua mãe a acalantou,
E disse não fica assim,
Vamos ter que dar um jeito
De nessa moça dar fim,
Temos que achar uma forma,
De acabar com esse festim.
Maria não pode perder,
Para uma pobre qualquer
Essa arez ai conhecer
A raia de uma mulher,
Ao ver sua filha derrotada,
Sem nenhuma chance sequer.
Chamou logo seu marido,
Que contratou um pistoleiro,
E ordenou que matasse Arez,
E que lhe daria muito dinheiro,
Para comprar muito gado,
E tornar-se um fazendeiro.
Deu-lhe uma quantia,
E um revolver carregado,
E enviou-o a Pastanolandia,
Executar o tratado,
O moço dali viajou,
Já com o intento traçado.
Ao chegar em Pastanolandia,
Ouviu Arez cantar,
Quando olhou para a moça,
Não pode se controlar,
Essa moça é um anjo,
Ninguém vai poder lhe matar.
Fugiu naquela mesma noite,
Por outro caminho correu,
Ninguém sabe de que forma,
Que o moço desapareceu,
O que se sabe é que até hoje,
Que o homicídio não se deu.
Quando a mãe de Maria soube,
Que o plano fracassou,
Quase que morre de raiva,
No momento ela desmaiou,
Mais logo em sua mente,
Outro plano arquitetou.
Mandou chamar um senhor,
Que por sinal era seu parente,
Disse: - Vá a casa de Arez,
De Maria leve-lhe um presente,
Uma volta em sua carruagem,
Com ela sentada na frente.
Durante a volta você,
Conduza-a por uma ladeira,
Quando estiver na descida,
Você solta a estribeira,
E deixem que os cavalos,
Se desande na carreira.
Com a carruagem desgovernada,
Você salta logo na frente,
E deixe que ela capote,
Parecendo ser um acidente,
E aí adeus voz tão linda,
Que comove tanta gente.
E no outro dia bem cedo,
Mandou seu parente viajar,
Deu-lhe um pouco de dinheiro,
Para com as despezas gastar,
Pois quando voltasse da missão,
O restante iria lhe pagar.
Ele chegou em Pastanolandia,
Encontro logo a cantora,
Ofereceu-lhe carona,
Como as ordens de sua tutora,
Arez logo embarcou,
Com a inocência mais redentora.
Assim que entrou na carruagem,
Sorrindo começou a cantoria,
O homem ouvindo seu canto,
Sentiu que estremecia,
Ficou sem ter uma ação,
E sem saber o que acontecia.
Depois de alguns minutos,
Sentiu que estava normal,
E disse como é que pode,
A este anjo alguém fazer mal,
Esta moça é protegida,
Por milícia celestial.
Deu meia volta e deixou Arez,
De onde a tinha levado,
Não cumpriu a triste missão,
Que tinham lhe ordenado,
E no mesmo dia voltou,
Em rumo ao seu povoado.
No caminho ele pensou,
Lá eu não posso chegar,
Se souberem o que aconteceu,
Com certeza irão me matar,
Puxou ali sua arma,
E com um tiro veio a se suicidar.
Quando souberam o acontecido,
A mãe de Maria estourou,
Como pode uma coisa dessas,
Foi mais um que nos roubou,
E se não bastasse a frouxura,
O imbecil ainda se matou.
Reuniu-se com suas amigas,
Para armar um plano fatal,
Chegou a uma conclusão,
De viajar para a capital,
Onde encontraria-se com bruxas,
Hábeis em fazer o mal.
Obteu a informação,
De uma bruxa famosa,
Que na arte da magia negra,
Era a mais maldosa,
Conhecida como a Poli,
Apolinária era a sua prosa.
A mãe de Maria a procurou,
E falou de sua intenção,
Eu pago a quantia que for,
Para você me dar a mão,
Um feitiço bem preparado,
Para honrar minha missão.
A bruxa disse isso é mole,
Se paga vou preparar,
Um feitiço muito forte,
Tenha certeza vai funcionar,
Ela não vai morrer,
Só que nunca mais vai cantar.
Só preciso de uma semana,
Pra fazer minha poção,
Alguns dos ingredientes,
Vou ter de pegar no sertão,
Para que nessa moça,
Possamos dar uma lição.
Você me deixa algum dinheiro,
Para que eu possa comprar,
Unha de morcego e olho de boto,
Eu tenho que encomendar,
Piolho de cobra, língua de jacaré,
Também eu terei de achar.
Além disso vou colocar,
Dente de alce no cio,
Cabelo do sovaco de cobra,
Só vou precisar de um fio,
Meleca do nariz do curupira,
Algo que causa arrepio.
Vou precisar da fumaça,
Do cachimbo do saci,
Duas gotas do sangue,
Do traseiro do Javali,
E só um pouco de remela,
Do olho do mampiguari.
Depois de juntar tudo isso,
No caldeirão eu vou colocar,
Vou ferver durante alguns dias,
Até no ponto chegar,
Depois em um copo de vidro,
Eu irei acondicionar.
Viajarei para Pastanolandia,
E Arez irei conhecer,
Tornarei-me sua amiga,
Sem que ela possa perceber,
Lhe darei um pouco de feitiço,
Para que ela possa beber.
Depois de beber o feitiço,
Ela vai desafinar,
Decaindo a sua fama,
Ninguém mais vai lhe escutar,
E com o passar do tempo,
Ela vai parar de cantar.
O feitiço só será desfeito,
No dia em que aparecer,
Alguém que pela moça,
Sinta amor e prazer,
E que possa lhe dar um beijo,
Sem ao menos lhe conhecer.
Se alguém quebrar o feitiço,
A coisa irá mudar,
Quem mandou fazer o mesmo,
Na hora vai se transformar,
No monstro mais horrendo,
Que alguém possa imaginar.
Estes dois últimos versos,
Ela não falou para a cliente,
Ficou só em seu pensamento,
Com a intenção mais decente,
Pois uma bruxa profissional,
Tem que ser muito prudente.
A mãe de Maria disse,
Tudo bem eu pagarei,
Só não quero que aconteça,
Como os outros que contratei,
Um se matou e outro fugiu,
Que até hoje não encontrei.
A bruxa disse jamais,
Meu trabalho é de confiança,
Para as coisas impossíveis,
Eu ainda sou esperança,
Nunca recebi reclamação,
Por algum erro de pajelança.
A mãe de Maria pagou,
E foi embora em contentamento,
Porque a desgraça de Arez,
Pra ela era divertimento,
Já que a maldade invejosa,
Era o seu único intento.
Quando chegou disse a Maria,
Agora pode se alegrar,
Muito em breve a cantora Arez,
No talento vai definhar,
E a minha filha querida,
Vai para sempre cantar.
Enquanto a mãe da Maria,
Procurava lhe destruir,
Arez tão inocente,
Não sabe o que há de vir,
Cada dia que se passava,
Mais sua fama vinha subir,
Já tinha gravado um disco,
Somente faltava lançar,
De todos os festivais,
Era chamada a participar,
E sempre ganhava o troféu,
Do honroso primeiro lugar.
Arez estava se tornando,
Uma repercussão nacional,
Já não tinha quase mais tempo,
Pois cantava em todo local,
Pois era comum a gente vê-la,
Em manchete de todo jornal.
A fama dela crescia,
Mais Arez nunca mudava,
Sempre era a moça humilde,
Que em Pastanolandia morava,
E quando lhe sobrava tempo,
Com suas irmãs brincava.
Agora vamos deixar Arez,
Vivendo a fama honrosa,
E vamos ver o que acontece,
Com aquela bruxa maldosa,
Que iria fazer o feitiço,
Para dar fim naquela prosa.
Apolinária reuniu todos,
Os ingredientes da poção,
Quando estavam reunidos,
Colocou-o no caldeirão,
Ateou fogo no meio,
E junto fez uma oração.
Pai Zebu e mãe Zambá,
Que são porteiros do inferno,
Avizem ao demônio Filomeno,
O pai do tormento eterno,
Que eu preciso de ajuda,
Para um feitiço externo.
Quando ela falou assim,
Apareceu demônio de todo lado,
Pomba gíria e Judas Iscariotes,
Pareciam até namorados,
Veio Lúcifer o comandante,
De Caim acompanhado.
Chegaram ao lado do caldeirão,
Cada qual benzia mais forte,
Apolinária gritava alto,
Só não leve a moça a morte,
Tirem o seu talento,
Pois esse é o seu suporte.
Terminando o ritual,
Só ficou uma grande fumaça,
O que sobrou no caldeirão,
Ela pôs em uma taça,
Estava pronto o feitiço,
Que iria culminar na desgraça.
No outro dia mesmo,
Ela pôs-se a viajar,
Em direção a Pastanolandia,
Aonde iria se encontrar,
Com a cantora Arez,
De quem amiga iria se tornar.
Chegando no povoado,
Botou logo um disfarce,
Quando encontrou a moça,
Deu-lhe um beijo na face,
Fazendo uma magia,
Autenticando o enlace.
A partir daquele momento,
Em amiga de Arez ela se tornou,
Ficaram sem saber como,
Arez dela muito gostou,
Ao perguntarem seu nome,
Poli sua criada sou.
Para onde Arez fosse,
Poli ia junto dela,
Não media dificuldades,
Para sempre ficar com ela,
Ninguém não entendia,
Que situação era aquela.
As irmãs de Arez,
Ficavam se perguntando,
De onde veio essa moça,
Que de Arez está gostando,
De repente ela chegou,
E já foi se aproximando.
Até o próprio pai,
As vezes desconfiava,
Pedia explicações,
Arez então lhe falava,
Poli é minha amiga,
Era assim que retrucava.
Amigo leitor Arez inocente,
Vivia sua ingenuidade,
Não sabia que a amiga,
É uma bruxa de verdade,
Que somente espera o momento,
Para lhe fazer a maldade.
E como diz o ditado,
Não tem quem faça o bem,
Mais para fazer o mal,
Já existe mais de cem,
Pra praticar o amor e a bondade,
Não encontramos ninguém.
Um dia Arez saiu,
Bem cedo pela manhã,
Sem ao menos dar um motivo,
Para Anez sua irmã,
Foi direto para o bosque,
À plantação de maçãs.
Assim que chegou lá no bosque,
Começou logo a cantar,
Como era de costume,
Alguns pássaros vieram escutar,
Chegou também a Poli,
Que ali estava a passear.
A moça sentada na grama,
Mirava-se na água cristalina,
Com seu semblante tão meigo,
Parecendo um anjo menina,
Não via que naquele momento,
Iria mudar sua sina.
Enquanto Arez cantava,
Poli veio e lhe abraçou,
Dizendo vim me despedir,
Porque embora eu vou,
Nunca mais nós nos veremos,
E depois disso ela falou.
Como prova de nossa amizade,
Vamos agora brindar,
Toma um pouco deste suco,
Que sempre você vai lembrar,
Desta amiga tão querida,
Que nunca mais vai voltar.
Arez pegou o copo,
E num instante foi logo tomando,
Pois ela jamais imaginaria,
O que estava se passando,
Porque com aquele suco,
Poli estava lhe enfeitiçando.
Quando terminou de engolir,
O suco que a amiga lhe deu,
Foi entregar-lhe o copo,
Vejam só o que aconteceu,
Poli não estava mais,
Ela desapareceu.
Arez tentou encontra-la,
Mais foi inútil a sua procura,
Continuou cantando no bosque,
Como uma inocente criatura,
Que nas águas cristalinas,
Contemplava a sua figura.
Depois que voltou do bosque,
Sentiu algo modificar,
Quando foi cantar uma música,
Não deu conta de afinar,
Pressentiu naquele momento,
Que havia algo no ar.
Arez falou a seu pai,
Algo está se passando,
Quando tento cantar algo,
Vou logo desafinando,
Minha voz não tem harmonia,
Pois fica desentoando.
Seu pai preocupado disse,
Cante que quero ouvir,
Quando a moça cantou,
Ali ele pode sentir,
Realmente a grande mudança,
Algo veio a intervir.
Com Arez desentoada,
Tudo veio a mudar,
Inúmeras apresentações,
Tiveram que cancelar,
Porque Arez não cantava,
Como costumava cantar.
A noticia foi se espalhando,
E chegou a outro povoado,
Por Maria e sua mãe,
Foi muito comemorado,
Valeu a pena o dinheiro,
Que elas tinham gastado.
Maria então começou a cantar,
Onde lhe davam oportunidade,
Não cantava como Arez,
Essa era a pura verdade,
Com o sumiço de Arez,
Havia então necessidade.
Agora leitor, vou deixar Maria,
Despontando para o sucesso,
E voltar a cantora Arez,
Que no momento tá ao inverso,
O que será que vai acontecer,
Leia o próximo verso.
Quando o pai de Arez viu,
Que a moça passava mal,
Arrumou passagem e a levou,
No outro dia para a capital,
Fez os exames necessários,
Em um conceituado hospital.
Na bateria de exames,
Nada ficou comprovado,
Ele foi levou-a em outro hospital,
Que ficava em outro reinado,
Mais também não o descobriram,
O porque daquele estado.
Arez voltou para casa,
Juntamente com seu pais,
Realizaram o maior dos exames,
Em suas cordas vocais,
Tudo estava normal,
Ela só não cantava mais.
Chegando em pastanolandia,
Era o maior movimento,
Arez ficava triste,
Sem exercer seu talento,
Que tomou um chá de sumiço,
Sem deixar conhecimento.
Agora nós vamos conhecer,
Uma outra parte da estória,
Que revela a felicidade,
Areolada de glória,
E onde existe a verdade,
Há manifestação de vitória.
Em Pastanolandia havia,
Muito trabalho a fazer,
Atraído pelo trabalho,
Muitos a vinham conhecer,
E as vezes lá ficavam,
Para poder sobreviver.
Em um povoado distante,
Morava um pessoal,
Gente boa inteligente,
Vivendo a vida normal,
Esta boa gente morava,
As margens do Rio Pindobal.
Como trabalho estava difícil,
O povo saia para procurar,
Somente em Pastanolandia,
É que se podia encontrar,
Aqui vamos ver o que,
O destino vai aprontar.
Nessa família de boa gente,
Surge um certo personagem,
Que é conhecido por Jorginho,
Rapaz de boa linhagem,
Homem letrado e decente,
Com performance de coragem.
Jorginho precisou das coisas,
Para poder se sustentar,
Chamou logo o seu pai e disse,
Eu preciso trabalhar,
Vou para Pastanolandia,
De certo lá vou me empregar.
Arrumou a sua boroca,
E seguiu logo para a estrada,
Depois de viajar alguns dias,
Chegou em sua escalada,
O Povoado Pastanolandia,
Onde iria fazer morada.
Como gostava de trabalho,
Não foi fácil de encontrar,
No outro dia o moço,
Já estava a trabalhar,
Com certeza no fim do mês,
Dinheiro iria ganhar.
Amigo leitor o destino,
Às vezes é muito engraçado,
Jorginho arrumou emprego,
Exatamente no roçado,
Do pai da menina Arez,
Onde lá ficou empregado.
Com o passar dos meses,
Jorginho logo obteu,
Confiança de seu patrão,
Que tornou-se amigo seu,
E para gerente de produção,
Ele logo lhe escolheu.
Jorginho trabalhava muito,
E mostrava dedicação,
E a colheita das maçãs,
Aumentou sua produção,
Jorginho ouvia elogio,
De quase toda a população.
Um dia seu patrão lhe disse,
Venha vou lhe apresentar,
A minha família querida,
Faço questão de mostrar,
Todos são muitos amáveis,
Creio que você vai gostar.
Ao ir na casa do seu patrão,
Um banquete estava preparado,
A cada um da família,
Ele foi apresentado,
Com pouco tempo de papo,
Já estava familiarizado.
Jorginho se deu muito bem,
Com as filhas do amigo patrão,
Só uma coisa naquele banquete,
Tomou-lhe a sua atenção,
Foi a beleza da jovem Arez,
Que ficou gravado no coração.
O rapaz ao sair dali,
Perguntou a um amigo seu,
Que era aquela moça,
Ele então lhe respondeu,
Ela é a cantora Arez,
Só que o talento perdeu.
Ela já cantou muito,
Só que agora desentoou,
Não sabemos qual foi a peça,
Que o destino lhe aprontou,
Só que de uns tempos pra cá,
Ela nunca mais cantou.
Jorginho suspirou fundo,
E depois pensou longamente,
Vou conhecer essa moça,
Ela parece ser decente,
Só não vou lá agora mesmo,
Pois posso ser inconveniente.
Por outro lado Arez também,
Sozinha pôs-se a pensar,
Quem será esse belo rapaz,
Que conosco veio trabalhar,
Eu tenho muito receio,
De por ele me apaixonar.
A partir daquela data,
Jorginho amigo se tornou,
Daquela hospitaleira família,
Que dele muito gostou,
Especialmente das três irmãs,
Amiguíssimo ficou.
Estando intimo na família,
Com Arez pode conversar,
E soube do seu sucesso,
Que antes pode galgar,
E que tinha se interrompido,
Sem ninguém para explicar.
Jorginho achou muito estranho,
Aquele regresso profissional,
Aquela moça tão linda,
Que parecia ser tão legal,
Ter a carreira interrompida,
De uma forma tão fatal.
Mais isso não vinha ao caso,
Pra ele Arez era artista,
Conhecendo-a pouco tempo,
Seu coração lhe deu a pista,
Ele estava amando Arez,
Foi amor a primeira vista.
Por parte da moça também,
A situação não era diferente,
Depois de conhecer Jorginho,
Não era mais a mesma gente,
Também a estava amando,
Da maneira mais decente.
O tempo foi se passando,
E não houve declaração,
Por parte de nenhum dos dois,
Pra selar aquela união,
Amavam-se nos olhares,
E as vezes na plantação
Depois que passou um ano,
Que ali Jorginho trabalhava,
Resolveu tirar umas férias,
Pois a um ano não voltava,
Em seu povoado de origem,
Que de lá muito longe ficava.
Viajou para sua terra,
Mais trouxe Arez no pensamento,
E onde quer que estivesse,
Sentia aquele sentimento,
Lembrar daquele ser angelical,
Era mais que um merecimento.
Passado alguns dias de férias,
Jorginho disse vou escrever,
Uma carta para Arez,
Narrando lhe meu parecer,
Vou dizer que estou lhe amando,
Vejamos o que vai acontecer.
Se ela disser que não me ama,
Pra lá não vou mais voltar,
Não interessa ter trabalho,
E não poder lhe amar,
Agora mesmo vou lhe escrever,
E logo vou me declarar.
Uma parte da missiva,
Tinha a seguinte declaração,
Minha prezada Arez,
Tocastes meu coração,
Quero aqui lhe revelar,
Parte desta paixão.
Você tocou minha vida,
Desde o momento que te vi,
Um amor sobrenatural,
Por você logo senti,
Foi em você querida Arez,
Que a paixão eu descobri.
Penso em você todo instante,
Quería te-la comigo,
Não somente como conhecido,
Nem tampouco como amigo,
Quería te-la como esposa,
Esquecer-te não consigo.
Tua imagem amada minha,
E como um sol que brilhou,
Com seus raios multicores,
Minha vida iluminou,
E agora eu tenho a certeza,
Que apaixonado eu estou.
Espero receber resposta,
Da carta que estou escrevendo,
Saiba que o que eu disse,
Realmente está acontecendo,
Meu amor está tão patente,
Que todo mundo está vendo.
Quando Arez recebeu a carta,
Quase morreu de emoção,
Pois precisava ouvir,
Dele aquela declaração,
Pois aquilo confirmava,
O selo de sua paixão.
No mesmo instante sentou,
E uma carta também escreveu,
Era mais ou menos assim,
Disse-me quem a mesma leu,
Com letras muito bonitas,
Foi assim que respondeu.
Prezado amor Jorginho,
Creio que assim posso chamar,
Você não sabe o quanto,
Sua carta veio me alegrar,
Pois era esta declaração,
Que eu precisava escutar.
Saiba que também te amei,
No instante que vi você,
Foi amor a primeira vista,
Não sei como e nem porque,
O amor que sinto por ti,
Já quase todo mundo vê.
Nunca gostei de ninguém,
Do jeito que estou te gostando,
Não queria assumir,
O que está se passando,
Mais agora eu acredito,
Saiba que estou te amando.
Espero que volte logo,
Para podermos nos abraçar,
Para que esta nossa paixão,
Possamos concretizar,
O amor que sinto por ti,
Aqui não dá para explicar.
Ao receber a missiva,
Jorginho radiante ficou,
Aquela resposta tão linda,
Ele jamais imaginou,
Arrumou todas as suas coisas,
E no mesmo dia voltou.
Ao chegar em Pastanolandia,
De longe Arez pode ver,
Correu ao seu encontro,
Para saúda-lo e receber,
Ali mesmo eles se abraçaram,
E se beijaram com todo prazer.
Jorginho foi a casa de Arez,
Para logo anunciar,
Que amava a jovem moça,
E com ela queria namorar,
E se tudo corresse bem,
Logo iriam se casar.
Fizeram uma grande festa,
Para a união do casal,
Para surpresa de todos,
Que estavam naquele local,
Arez cantou muito lindo,
Sua voz estava normal.
Preste atenção amigo leitor,
O que poderia acontecer,
Se Arez fosse beijada,
Com amor e muito prazer,
Seria desfeito o feitiço,
É o que agora iremos ver.
Maria a cantora invejosa,
Cantava para uma multidão,
No momento do beijo de Arez,
Transformou-se em um dragão,
E sua mãe virou um monstro,
Mais horrível do que um leão.
A platéia ficou sem saber,
O que tinha acontecido,
Mais a bruxa apareceu,
E explicou o ocorrido,
Disse a todos que o feitiço,
Agora lhes tinha recaído.
Quando o povo ouviu aquilo,
Com o dragão foram a lutar,
Deram-lhe uma surra de vara,
Que ele teve que se retirar,
E no monstro atearam fogo,
Que ardeu até expirar.
É que todos gostavam de Arez,
E agora sabiam a verdade,
Voltaram e a encontraram,
Na maior felicidade,
Tinha recobrado a voz,
E também a sua metade.
Logo improvisaram um show,
E Arez começou a cantar,
Aplaudiram a cantora de pé,
Por aquele feliz retornar,
A moça cantava tão lindo,
Que era fácil de se emocionar.
A partir daquele dia,
No sucesso ela despontou,
Cantava em todos os lugares,
Vários discos logo gravou,
Depois de algum tempo,
Com Jorginho ela se casou.
Fizeram uma grande festança,
Com tudo o que tinham direito,
No casamento de Arez,
Foi governador, juiz e prefeito,
Foi uma festa para todos,
Com honra e muito respeito.
Arez casou-se com Jorginho,
E felizes foram viver,
Cantar foi o seu dom,
Que de Deus ela pode obter,
Foram felizes para sempre,
Se amando com muito prazer.
Espero que o leitor,
Desta estória tire uma lição,
Entendendo que o mal,
Gera o ódio e a destruição,
E que quando somos humildes,
Ninguém nos impõe a mão.
Arez tinha essas virtudes,
E gostava muito de cantar,
Movidos pela inveja,
Tentaram lhe prejudicar,
Com humildade ela superou,
E encontrou alguém para amar.
Já terminei minha estória,
Outra vez meus versos rimei,
Relatei a proeza e a glória,
Glorificando o que eu achei,
Insisto em dizer no meu verso,
No amor há sempre sucesso,
Hoje e para sempre,
O meu intento realizei
