CORDEL


O FESTIVAL DO AÇAÍ EM IGARAPÉ MIRI

Peço permissão a Deus;
E ao ordeiro povo daqui;
Para que eu possa narrar;
O festival do Açaí;
Uma festa que enche de orgulho;
O povo de Igarapé – Miri.

Sobre o Festival do açaí;
Será uma honra rimar;
Pois só assim trago ao conhecimento;
A quem queira interessar;
Uma festa de tradição;
Do Povo de meu lugar.

Vou falar sobre o açaí;
Uma fruta deliciosa;
Que em nosso Município;
Destaca-se de forma honrosa;
Conhecido pela população;
Como uma bebida gostosa.

O açaí é fruto de uma Palmeira;
Nativa em nossa região;
Que mesmo sem ser tratada;
Existe em grande concentração;
Aparecendo com abundancia;
Na estação do verão.



Nas várzeas de nossas terras;
E que há grande produtividade;
E pelos nossos ribeirinhos,
E colhido em quantidade;
Através de barcos-motores;
E transportado pra cidade.

Na cidade é comercializado;
Para o consumo local;
Há também grandes vendas;
Para a nossa capital;
Sem falar que o nosso açaí,
Está no comércio internacional.

Mais para que o açaí;
Chegue a sua mesa legal;
É necessário um processo;
De maneira tradicional;
Que vem desde a colheita;
Até seu destino final.

Como já disse em nosso Município;
O açaí é fruto nativo;
Mais quando ele é tratado;
Com um carinho intensivo;
A plantação do açaí;
Torna-se mais produtivo.



        O açaí nasce verde;
Com seis meses ele vai pretando;
Se não tirarem o cacho;
Fica tuíra e vai secando;
Os pássaros engolem os caroços;
E depois saem semeando.

Quando vêm que o caroço está preto;
Preparam-se para apanhar;
Tecem um peconha;
Que ora vem facilitar;
A escalada na palmeira;
Para o açaí poder tirar.

A tal peconha é um circulo;
Com um  nó bem amarrado;
Geralmente feito de folha;
Que no pé fica apertado;
Com uma só peconha;
Ele tira um bom bocado.

Depois que é apanhado;
Se vende o que tem de  vender;
Tira o do  consumo diário;
Que é pra amassar e beber;
Daí pra frente o trabalho é delas,
Vamos ver como vão fazer.



É debulhado das pencas;
E posto em um alguidar;
Uma bacia de barro;
Muito usado em nosso lugar;
Em seguida esquentam a água;
Para o nosso açaí molhar.

        Na temperatura exata;
O açaí então é molhado;
Em poucos minutos está mole;
Pronto pra ser amassado;
Depois servido na mesa;
Pra ser bem apreciado.

Isso é no interior;
Na cidade a coisa é diferente;
O açaí chega lá na rampa;
Que logo se enche de gente;
Negociando os preços;
Com o dono ali presente.

Depois de comprado é levado;
Em um carrinho de mão;
Direto para a vitaminosa;
Ali será batido e então;
Um complemento sério;
Para nossa Alimentação.



Bem cedo já tem o açaí;
É vendido como você gostar;
Tem o açaí bem grosso;
Que todos preferem comprar;
Pois quando ele está fino;
Ninguém gosta de levar.

Como já disse o nosso Açaí;
É tomado como um complemento;
Podemos até afirmar;
Que ele faz parte do alimento;
Fortificando o nosso organismo;
Causando o fortalecimento.

Agora preste atenção;
Que eu vou lhe manter informado;
Eis alguns dos pratos gostosos;
Onde o açaí é usado;
Sei que vai lhe dar água na boca;
Pois eu já estou um bocado.

O açaí pode ser tomado;
Com açúcar e bem farinha;
É também tomado só;
Ou com uma tapioquinha;
Há quem prefira o pirão;
Acompanhado da tainha.


Entre os pratos mais gostosos;
Tem o açaí com camarão;
Ah! esse não há quem resista;
É o mais procurado de então;
O açaí com peixe assado;
Também tem sua predileção.

        Em vários tipos de mingau;
Usamos o açaí;
Principalmente em mingaus;
Feitos pelo povo daqui;
Entre os quais vou destacar;
Alguns que eu mesmo já vi.

No mingau de farinha d’água;
E também no de fruta Pão;
No mingau de curuera;
Que é socado no pilão;
No mingau de arroz;
Esse já virou tradição.

É tomado junto com o churrasco;
Que é acompanhado de limão e farinha;
Com mapará frito ou assado;
Faz qualquer um sair da linha;
O açaí também acompanha;
Um pirão caboclo de galinha.



        Já inventaram até doces;
Tem chopp tem picolé;
Já tem até pudim de açaí;
É gostoso como ele é;
A polpa e o licor;
Também já existem até.

Nas batedeiras de açaí;
Sempre há grande movimentação;
Quanto mais perto do almoço;
Maior é a multidão;
Que pelo liquido negro;
Está fazendo procuração.

Os nomes nas vitaminosas;
Destacam-se visivelmente;
Cada uma delas batizada;
Pelo dono intencionalmente;
Simplesmente para atrair;
Cada dia mais cliente.

        Enfim a bebida é gostosa;
Tem ampla aceitação aqui;
Somos considerados;
O maior produtor de açaí;
Na Amazônia e até no mundo;
É o nosso Igarapé – Miri.



       Tem o açaí preto e tuíra;
Tem o branco e tem o tinga;
Tem o paráu e o Açu;
Sua muda quase não vinga;
Tem o açaí fino e a chula;
O grosso que quase não pinga

O festival do Açaí
Vem exatamente mostrar
As coisas deliciosas;
Que podemos preparar;
Com o delicioso açaí;
Fruto do nosso lugar.

O Festival do Açaí;
Há anos vem acontecendo;
E sempre muitas pessoas;
Participam enaltecendo;
E as utilidades do açaí;
Aqui ficam conhecendo.

Já conclui minhas rimas,
Oficializei meu recado;
Rimei a riqueza da minha terra,
Gostaria que fosse valorizado;
Independente de tudo,
Não tire Deus do seu lado;
Homem, mulher e criança,
O meu abraço apertado.
FIM



OS MIRIENSES ESQUECIDOS QUE SEMPRE SERÃO LEMBRADOS
Pode parecer contraditório
O titulo deste meu cordel
Mais se analisarmos a essência,
Veremos a razão fiel
Ou seria transformar,
O amargo em um doce mel.

Os que serão sempre lembrados,
Existe em todo lugar,
Eu relacionei alguns nomes,
Só para homenagear,
Espero que você se divirta,
Quando for me acompanhar.

Aqui em Igarapé Miri,
Temos fatos engraçados,
Que com o passar do tempo,
Os mesmos sempre são lembrados,
Mesmo que seus autores,
Já tenham virado finados.

Não somente os fatos,
Mais também alguns personagens,
Que são figuras inesquecíveis,
Não perdemos suas imagens,
Lembrar dos tais é o mesmo,
Que fazer várias e longas viagens.


Sempre em nosso município,
Temos alguém especial,
Políticos, artistas e empresários,
São manchetes de jornal,
E outras personalidades,
Que se  destacam no âmbito social.

Como já falei outra vez,
Nosso povo tem muito valor,
Aqui nós temos de tudo,
Não falta ninguém não senhor,
Desde da freira e do padre,
Do sacristão e do pastor.

Aqui temos doutores,
Vários especialistas,
Filhos do nosso miri,
Temos até médicos de vista,
Locutores e cantores,
Enfim inúmeros artistas.

Advogados e arquitetos,
Temos em quantidade,
Empresários e políticos,
Estão minados pela cidade,
Músicos e compositores,
Temos em potencialidade.

Jogadores e árbitros,
Aqui vivem em amizade,
Também temos trambiqueiros,
Que maculam nossa sociedade,
Temos bandidos presos,
E bandidos em liberdade.

Se eu fosse citar os ilustres,
Creio iria passar um tempão,
Pois aqui temos de tudo,
Cada um em sua ocupação,
Mais há também aqueles,
Que quase não vemos menção.

São aqueles que só lembramos,
Quando vivemos alguns momentos,
As vezes por suas artes,
As vezes por seus temperamentos,
Seja qual momento for,
Pra nós é divertimento.

São ilustres esquecidos,
Pelas ações da sociedade,
Que as vezes não dão nem bola,
Para a sua notoriedade,
Mais na verdade são histórias vivas,
Que perambulam em nossa cidade.

Quem não lembra do Risada,
Um jovem que anda feliz,
Sempre lá pela beirada,
Fazendo o que lhe condiz,
A troco de algumas moedas,
Fazendo o que o povo diz.

Sempre ficando irritado,
Quando alguém o chama de ladrão,
Não medindo suas palavras,
Responde com palavrão,
Falando com veemência,
E fazendo gestos com a mão.

O Risada mesmo com raiva,
Parece estar sorrindo,
A origem do seu apelido,
E pelos dentes brancos lindos,
E quem o vê pela primeira vez,
Ele parece dizer bem vindo.

No mais quem vai esquecer do Rizada,
Quem esquece de sua figura,
Dele nunca falaram no rádio,
Nem jornalistas foram a sua procura,
Mais ele sempre será lembrado,
Como uma  humilde criatura.


Também tem um outro personagem,
Que nunca vamos esquecer,
Um jovem moreno alto,
Que trabalha para valer,
Entende bem o que a gente diz,
E a ele não conseguimos compreender.

Todos o chamam de Sicar,
Um apelido bem empregado,
Pois nas palavras que ele fala,
Só sicar é pronunciado,
Ele é muito divertido,
E também mito esforçado.

Quando o vemos pelas ruas,
Ele sempre vai imitando,
Um carro ou uma moto,
Com o barulho que vai soltando,
E em todos os que o vêem,
Risos vai provocando.

Mexe com as meninas,
E gosta de participar,
Das conversas e dos papos,
Seja em qual for o lugar,
Sicar é mais um ilustre anônimo,
Que nunca esqueceremos de lembrar.

Que vai esquecer da senhora,
Que vive perambulando,
De um canto ao outro da cidade,
Sempre sempre vemos andando,
Dizendo, só dez cumpadi!
Ela vem assim implorando.

Ela junta vários objetos,
E coloca em sua frente,
Carregando muitos pacotes,
Com o semblante mais inocente,
Tece flor da folha do coqueiro,
E oferece pra cada gente.

Sempre aborda as pessoas,
Pede dinheiro de imediato,
Se alguém lhe der atenção,
Começa a contar um fato,
- Fui noiva de um comerciante,
pois ainda tenho seu retrato.

Seu apelido não sei a origem,
Chamam o de língua de tamanduá,
É mais uma ilustre figura,
Que em nosso município há,
E que tenho a plena certeza,
Ninguém nunca esquecerá.

Quem vai esquecer do Alberone,
Aquele rapaz falante,
Inventando casos engraçados,
Parecendo comediante,
Diz conhecer todo mundo,
E no trabalho foi muito atuante.

Hoje o jovem Alberone,
Porque sofreu um acidente,
Vive em uma cadeira de rodas,
Mais nunca esquece da gente,
Pede ajuda pelas ruas ,
Pois sua família é muito carente.

O Alberone também é uma pessoa,
Que jamais iremos esquecer,
Sua imagem plena e viva,
Em nossa mente irá permanecer,
Ele é um ilustre miriense,
Que sempre lembramos com prazer.

E o Bóia quem não recorda,
Aquele moreno baixinho,
Que pede comida nas casas,
E cada um dá um pouquinho,
Sempre de rua em rua,
O vemos com seu saquinho.


Ele não fala nada,
Só estende a sua mão,
O morador já sabe,
Dá a ele café com pão,
Se for na hora do almoço,
Dá arroz, carne e feijão.

Quem gosta é a criançada,
Que diz lá vem o Bóia papai,
Depois de por algo em sua vasilha,
O moreno embora se vai,
Passa para outra casa,
Que enquanto não derem ele não sai.

O Bóia também com certeza,
Uma figura inesquecível,
Que vai ficar em nossas mentes,
Esquecer ele é impossível,
Sempre suas lembranças,
Para nós será acessível.

Outro também inesquecível,
É o irreverente biscoiteiro,
Que imita e inversa,
Para ganhar o seu dinheiro,
Oferece os seus produtos,
Com sabor mas corriqueiro.

Faz voz de todos os tipos,
E grita pro pessoal,
O biscoiteiro vai passando,
Quem vai querer afinal,
Tem uma boa clientela,
Pela sua maneira legal.

Ele também é uma pessoa,
Que sempre será lembrado,
Imita Faustão e Silvio Santos,
Papa, padre e Viado,
Ele também é um grande artista,
Pelo seu estilo engraçado.

E quem vai esquecer do Moca,
Um andante solitário,
Que anda atoa pelas ruas,
Sem se importar com horário,
Com objetos pendurados no corpo,
Cumpre seu ritual diário.

De vez em quando fala Hó Deus,
E gosta de ler jornal,
Geralmente lê em voz alta,
Atraindo o pessoal,
Quando fica irritado esculhamba,
Causando o maior temporal.


Enche garrafas com água,
E se banha quando está com calor,
Guarda inúmeras bugigangas,
Até dinheiro sem valor,
O Moca é um dos ilustres,
Que vai ser lembrado com amor.

E o poeta Manoel Machado,
Quem vai esquecer este amigo,
Presente em grandes eventos,
Fazendo versos consigo,
Proporcionando risadas,
Até no maior inimigo.

Manoel Machado poeta,
É cordelista considerado,
No tempo da eleição,
Divulga o resultado,
Lançando o tradicional folheto,
Da “Balsa dos Derrotados”.

Mesmo com problema de saúde,
Machado sempre está presente,
Quando aparece oportunidade,
Recita versos pra gente,
E sempre é muito aplaudido,
De maneira clara e decente.


O Machado é um personagem,
Que ninguém consegue esquecer,
Quando lemos os seus folhetos,
Sorrimos para valer,
Seu nome está na história,
Com honra e muito prazer.

Outro que a gente não esquece,
E que não sairá de nossa mente,
É o palhaço Macaxeira,
Conhecido comumente,
E que sempre alegra as crianças,
Com uma piada diferente.

O tal palhaço é o Bololota,
E que merece a minha menção,
Sempre eclético no rádio,
Fazendo imitação,
Contagiando as pessoas,,
Com a sua programação.

Mais há também quem diga,
Que seu nome dá azar,
Tem que bater na madeira,
Quando for pronunciar,
Tem alguns fatos verídicos,
Com alguém para provar.

 O Bololota é também,
Alguém que não vamos esquecer,
Com seus casos e piadas,
Lembranças suas vamos ter,
Muito embora alguém disse,
Que ele nunca vai morrer.

E assim entre muitas personagens,
Nós estamos rodeados,
Uns presentes esquecidos,
Outros ausentes lembrados,
Mais que sempre são Mirienses,
E merecem serem recordados.

Até eu humilde poeta,
Um dia alguém vai lembrar,
Genuinamente Miriense,
Disposto sempre a falar,
Não medindo nenhum esforço,
Quando o assunto era enversar.

Já rimei o meu recado,
Organizando a poesia,
Resultou neste pequeno livro,
Garanto sua simpatia,
Impressionando o leitor,
Não faço demagogia,
Hoje e sempre estarei,
            Onde houver alegria.

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