LEMBRANÇAS DE MEU PINDOBAL



Rio Pindobal de minha vida.
Caminhos por onde andei
Terra onde eu nasci
Rio em que me banhei.
Lugar que nunca esqueço
Tenho sempre esse endereço
Foi ali que me criei

Lugar de histórias vividas
Lua cheia de verão,
De banzeiro na Beira da Costa
De festejos no barracão
Da igreja tocando hino
Que ao ouvir viro menino
Em minha imaginação.

Pindobal Grande e Miri,
Lá tem enchente e vazante.
Tem açaí ainda no cacho
E um sol se pondo distante
A revoada de passarinhos
Que felizes fazem seus ninhos
E o cantar emocionante.

Rastros de tatarugas na areia,
A lua cheia em sorriso,
Os esmoleiros louvando o santo
E o folião tão preciso,
Um rio rico em pescado
São retratos do passado
Que guardo em meu juizo.

Um cardume de tainhas
Brindando a água barrenta
Luz por conta da lamparina
O resto a gente inventa
Pindobal que traz a lembrança
O meu tempo de criança
Que minha memória ostenta.

Casas cobertas com palhas
Esteiras no chão estendido
Assoalhos feitos de paxiuba
O belo entardecer chovido
Água no pote velho quebrado
Copos se usa o enlatado
Ariado e bem polido.

Um chá pra dor de barriga
Feito de folha e raiz
A plantação de maniva
Deixa o roceiro feliz
O bloqueio de mapará
Emoção maior não há
Ser taleiro eu sempre quis.

No trapiche se fazia compras,
De fazenda ao extrato
Um homem com lombo no sol,
Faz a roçagem do mato
Enquanto outro passa no batelão
Gingando em sua condução
Com um remo faia de fato.

Uma primavera florida
Numa manhã de neblina
Uma ilha na boca do rio,
Nunca deixou de ser menina
Nas viagens com minha vó
Pra não deixar ela ir só
Minha mente não desafina.

Uma hora escrevendo verso
No galho da goiabeira
Procurando araruta grauda
Nas tabocas daquela beira
Uma fogueira queimando
E em volta o povo passando
Era pura brincadeira.

A mão de ajuda vai colhendo
Os frutos sem ter extravio
A meninada brincando
De bole bole ou currupio
Na seringa tinha estrada
A rede era pintada
Pra mudar a cor do fio.

Na cozinha um paneiro pendurado
Que da fumaça ficava o sarro
O açaí amassado a mão
Em um alguidar de barro
Uma flor a cada dia
Minha mãe sempre colhia,
E colocava no jarro.

No fogão de barro no terreiro
O moquém era instalado
Na hora do almoço tinha
Peixe cozido ou assado
E na hora da merenda
A alegria era tremenda
Mingau de farinha encaroçado.

As paredes de miriti
Pintadas com casca de pau
Cordas fortes de cipó
Amarravam as estacas do girau
Meu pai um bom pescador
Também imprimia labor
Na plantação de cacau

A correnteza tocava a música
As aningueiras dançavam
Os remos partiam as águas
Lá fora as velas bordejavam
E lá ia eu para o Japiim
Visitar a família do tio Tomim
Que distante da gente moravam.

São tantas lembranças do Pindobal
Que aqui não dá pra escrever
Quando começo a lembrar
Dá vontade de sempre dizer
Meu rio meu lugar querido
Obrigado por você ter sido
Palco da inspiração de meu viver.

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